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Estratégias de plantio de igrejas – Parte Dois

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Neste capítulo continuaremos a pensar sobre as estratégicas para plantio de igrejas e assim estarei propondo algumas estratégias que poderão ser aplicadas nos mais diversos contextos (urbano, rural e tribal) de forma relevante.
Estratégia 1
Pesquisa e compreensão da sociedade local
Tentar alcançar pessoas, evangelizá-las e agrupá-las em comunidades cristãs, sem antes compreendê-las, é demonstração de soberba e falta de sabedoria. É preciso compreender a população local antes de abordá-la com o evangelho.
Em seu livro “Eles gostam de Jesus mas não da Igreja”[1] Dan identifica uma geração jovem, globalizada, pos-moderna e pós igreja, na América do Norte, que admira Jesus mas nutre repulsa pela Igreja. Tal identificação foi crucial para o processo de plantio de igrejas que se espalhou por várias partes da América. Uma pregação a partir da igreja-povo e não igreja-instituição. Programações evangelísticas sempre fora do templo. Intencional proclamação de Cristo, sua pureza e verdade. Durante o discipulado, porém, a introdução dos conceitos bíblicos da Igreja. Sua natureza, valor e limitações.
Sem uma pesquisa e compreensão da sociedade local Dan certamente não teria alcançado milhares e milhares de jovens que normalmente jamais entrariam em um templo e possuíam uma clara barreira contra uma mensagem com a face da Igreja. Mas eram simpáticos a Jesus.
Algumas perguntas devem ser respondidas inicialmente em uma pesquisa para compreensão da sociedade com a qual iremos ou já estamos trabalhando. Quantos eles são, onde se localizam, quais os seus meios de subsistência, de onde vem, como se dividem, como se relacionam, qual a religião predominante, quais outras religiões minoritárias mais influentes, como se organizam e quais são seus grupos de afinidade[2].
Iniciativas como a Sepal (Servindo Pastores e Líderes)[3] colaboram de forma expressiva para compreendermos a cidade e região onde somos direcionados a plantar uma igreja dando assim passos mais seguros no desenvolvimento de estratégias. Rubens Muzio[4] nos diz que “o Brasil 21 tem a pesquisa como um dos elementos chaves para o cumprimento dos seus objetivos. Se desejarmos ver o Brasil influenciado pelo evangelho, com igrejas localizadas estrategicamente ao alcance de todo brasileiro, necessitamos tomar conhecimento de quem somos, onde estamos, qual o nosso potencial, até onde temos avançado, para onde estamos indo, e assim por diante. Enquanto não tivermos a informação qualitativa e quantitativa, o risco de tomarmos uma decisão errada é muito maior”.
Em seu artigo “Implantação de igrejas saudáveis – a melhor estratégia”[5] Muzio propõe alguns passos para uma pesquisa do contexto sócio-cultural e histórico de uma cidade:
a) Coletar dados disponíveis e previamente compilados que apontem para as diferentes realidades religiosas, históricas, sociais, e culturais da cidade ou bairro.
b) Adquirir um mapa estratégico de missões urbanas que contenha as divisões sócio-econômicas, geopolíticas e urbanas da cidade ou região.
c) Responder algumas perguntas básicas para cada bairro ou região da cidade visitando os centros religiosos, associações de moradores, projetos sociais, hospitais e outros locais importantes.
d) Aplicar pesquisa quantitativa de igrejas visando localizar as igrejas e templos evangélicos da cidade a fim de conhecer onde estão localizadas e perceber os hiatos ainda não alcançados pelas igrejas.[6]
Ricardo Agreste, com a iniciativa do Centro de Treinamento de Plantadores de Igrejas[7] juntamente com outros preciosos consultores tem sido um estímulo no preparo e capacitação de plantadores de igrejas. Seus cursos focam não apenas o desenvolvimento da compreensão da Igreja (natureza e missão) e o perfil do plantador de igrejas (caráter e competência) como também aborda a importância e metodologia para pesquisa urbana e social com finalidade de compreender a sociedade em um momento prévio à evangelização.
Uma pesquisa demográfica é fundamental para o processo de plantio de igrejas. Algumas sugestões.
1. Observe o índice e ocorrência de diversidade social em uma área alvo para o plantio de igrejas.
Se uma cidade no interior de São Paulo possui uma população de 50.000 pessoas, próxima a outra com apenas 10.000 pessoas, um plantador de igrejas observará o conceito de iniciar pelos epicentros, ou centros de aglutinação. Devemos iniciar pelos centros populacionalmente maiores com a finalidade de, assim, abrangermos um número maior de pessoas que podem influenciar diversas outras em centros menores. Porém é necessário observar e conhecer as populações destas duas cidades, de 50.000 e 10.000 pessoas antes de focarmos nossa atenção em um lugar de forma definida pois há muitas variáveis. Talvez a cidade menor, povoada por 10.000 pessoas, seja altamente homogênea em relação a classe social, língua, procedência cultural e estilo de vida. Por outro lado iremos aqui supor, para efeito do nosso estudo, que a cidade povoada por 50.000 pessoas possui 8 diferentes fortes agrupamentos de diversidade. Alguns étnicos (procedência cultural), outros sociais (classes econômicas e sociais), outros ligados a estilo de vida, em decorrência dos primeiros. Assim, enquanto uma forte igreja plantada e nutrida poderia ser suficiente para alcançar uma população homogênea de 10.000 pessoas, necessitaríamos plantar dezenas a fim de alcançar a população diversificada de 50.000. Esta consideração a partir de uma observação demográfica é de boa relevância para o plantador de igrejas.
Um estudo demográfico não deve se concentrar no mapa mas na distribuição humana. Um mapa lhe mostrará as ruas, bairros e centros comerciais. Passeando por estes ambientes é que serão notadas as nuances humanas relevantes. Perceba que, apesar de ser possível plantar uma só igreja que abrace diversos e distintos segmentos sociais e culturais, é pouco provável que isto aconteça devido à maneira como, antropologicamente, tendemos a nos associar aos que se assemelham a nós. Igreja multiculturais estão em ascendência na metodologia missiológica mundial, porém, na prática missionária, sua implementação e continuidade é complexa.
Assim, perceba e registre quais são os segmentos culturais, sociais e econômicos ao seu redor ou na área alvo para o plantio da igreja. Estime a população de cada um destes segmentos. Identifique aquele que seja o seu alvo principal, com maior potencial para influenciar outros.
2. Observe se a população na qual atuará é urbana, suburbana, rural ou tribal.
Populações urbanas são normalmente mais cautelosas em relação àqueles que não pertencem ao meio. Formam agrupamentos com ênfase na privacidade, trabalho e eventos seletivos, a pequenos grupos. Os símbolos de status são de extrema relevância e identificam as classes sociais e econômicas de forma linear e hierárquica. As tribos urbanas formadas normalmente por jovens entre os 15 a 25 anos seguem tendências próprias e geram grupos fechados, por afinidade. O ponto de afinidade pode ser a moda, ou a atitude rebelde ou ainda o interesse pelo mesmo estilo musical. Plantadores de igrejas devem observar que sua penetração em tais grupos se dá apenas a partir de uma base relacional com um ou alguns de seus membros. Esforços evangelísticos devem ser direcionados, específicos e não gerais, visto o perfil distinto entre os diversos segmentos. Um ponto de apoio, uma família ou membro do grupo social alvo, deve ser utilizado para que o evangelho seja apresentado em um ambiente de maior confiança e aceitação.
Populações suburbanas são normalmente estruturadas com base na família e mais abertas ao relacionamento com os de fora. O nível de privacidade é menor e tendem a se encontrar e relacionar de maneira mais informal nas praças, ruas e comércio. São abertas à presença de igrejas que se envolvam com a comunidade na tentativa de minimizar suas necessidades sociais. O plantador de igrejas deve morar entre eles e tornar-se um deles. Envolver-se nos programas sociais e comunitários. O esforço evangelístico pode ser mais geral, a todo o grupo, a partir de um ambiente central que crie uma atmosfera de aconchego.
Populações rurais normalmente demonstram maior amabilidade com o de fora de seu meio, porém maior desconfiança. Ao passo que a hospitalidade é um valor precioso e aplicável, que insere o outro em seu meio, a desconfiança os mantém interiormente distantes. São mais tradicionais e apegados a seus valores comunitários e religiosos, o que deve gerar barreiras evidentes à evangelização. O esforço evangelístico deve ocorrer a partir das famílias chaves que fazem parte da tradição comunitária. É necessário se estabelecer entre eles e participar dos eventos rurais.
Populações tribais são exclusivistas impondo maior restrições quanto aos de fora de seu meio. Possuem normalmente barreiras étnicas como língua e cultura distintas e assim o critério para inserção e aceitação do outro na sociedade local é mais lento e complexo. Este processo envolve adaptação pessoal, envolvimento comunitário, fluência lingüística e aptidão cultural. Eles são tradicionais e identificarão, em um primeiro momento, qualquer expressão religiosa evangelística como sendo alienígena ao seu ambiente e cosmovisão[8]. O esforço evangelístico deve ocorrer a partir da inserção no grupo, do aprendizado da língua, da cultura e da compreensão de sua cosmovisão quanto aos valores e elementos vitais para a exposição do evangelho como pecado, perdão e salvação.
Portanto, o estudo demográfico pode ser visto como uma primeira estratégia para a evangelização de uma comunidade objetivando o plantio de uma igreja entre eles.
Desenvolva uma forma de pesquisa, seja através de um questionário direcionador, entrevistas representativas ou observação participativa. Seu alvo é dimensionar o grupo com o qual trabalha, compreendê-lo social e culturalmente, identificar seus segmentos distintos e iniciar o evangelismo com uma abordagem que seja receptiva, funcional e clara.
Estratégia 2
Abundante evangelização
Igrejas não são plantadas em gabinetes pastorais ou centros de reflexão missiológica. São plantadas nas ruas. E neste cenário a quantidade e constância da evangelização torna-se uma ação fundamental em um processo de plantio de igrejas. Em um campo missionário, seja culturalmente distinto ou geograficamente próximo, a abundância na evangelização deve ser uma prática constante. Alguns campos não frutificam porque investem mais tempo na estruturação eclesiástica ou missionária e menos na evangelização e este é um perigo que envolve as nossas igrejas locais bem como nossos campos missionários mais distantes.

Estive estudando, durante um trabalho de consultoria missionária, alguns campos no oeste africano (Gana, Costa do Marfim, Nigéria) e na América do Sul (Norte do Brasil, Peru e Colômbia) onde diferentes processos de plantio de igrejas estavam em andamento. Dividi os campos missionários em duas categorias:

a) Nível de estruturação: observando a presença de postos missionários bem estabelecidos, boa mobilidade com transporte próprio, sistema de comunicação funcional entre as equipes missionárias e supervisão cultural e lingüística.

b) Nível de evangelização: observando a presença de iniciativas evangelísticas pessoais, múltiplas tentativas de comunicação comunal do evangelho, uso da literatura, filmes etc.

As conclusões já eram esperadas. Igrejas nasciam em maior quantidade e maturidade nos campos onde havia abundante evangelização mesmo em detrimento de baixa estrutura missionária. Apenas os campos com abundante evangelização foram visivelmente frutíferos e lidamos aqui com um valor interessante. Apesar de termos plena consciência de que somente a evangelização levará pessoas a Cristo, podemos nos ater a diversas e múltiplas atividades diárias no afã do plantio de uma igreja que nos disperse do foco principal: apresentar Cristo.

Neste processo de plantio de igrejas é preciso haver um equilíbrio entre a capacitação e o caráter. Conheço alguns PhDs em missiologia que atuam como missionários ao redor do mundo os quais, tenho a impressão, não passaram ainda por uma real e pessoal experiência de novo nascimento. Por outro lado conheço missionários cheios de Deus e apaixonados por Jesus os quais não tiveram uma oportunidade de preparo que pudesse maximizar seus dons e habilidades, e pagam por vezes um alto preço devido a isto.

Após três anos entre os Konkombas, quando a Igreja crescia rapidamente e o evangelho alcançava lugares remotos, perguntei aos líderes locais sobre a razão principal pela qual éramos aceitos entre eles: a) habilidade de falar no dialeto local e ser entendido com facilidade; b) compreensão da cultura, costumes e forma de vida Konkomba; c) envolvimento pessoal com a sociedade tribal.

Eles então responderam: “O que leva o nosso povo a parar para ouvi-lo é porque você sempre sorri quando nos vê, parando para nos cumprimentar”. Nesta sociedade relacional a interação informal com o grupo era, portanto, o fator de ligação e credibilidade que gerava o ambiente propício para parar e ouvir. Esta deve ser uma pergunta a ser respondida em nossa área de ação. Que postura, abordagem ou atividade faz com que o povo pare e ouça, em meu meio ? Quais são os ambientes em que posso ouvir, aprender, e também falar ?
Se desejamos plantar igrejas, a macro-estrutura para subsistência missionária como transporte, mobilidade, comunicação, moradia e capacitação será de grande cooperação para o processo final. Entretanto o fator determinante será a presença de abundante evangelização.

David Brainerd (1718-1747) na evangelização dos indígenas na América do norte registra, para sua surpresa, o maior resultado evangelístico em sua reunião com menor estrutura missionária quando, na ausência do seu intérprete que adoecera, ficou em seu lugar um índio alcoolizado e com pouca fluência no Inglês, o qual mal conseguia se sentar sem cair. Em seu diário, após impactante experiência com os efeitos da evangelização mesmo na ausência de uma estrutura ideal, Brainerd escreveu que a mensagem vai além do mensageiro. Não importa o que um plantador de igrejas faça, priorize a abundante evangelização.

Estratégia 3
Comunicação de um evangelho Cristocêntrico
Abundante evangelização, por outro lado, é um elemento estratégico e funcional somente se o conteúdo da evangelização for a Palavra de Deus.
Precisamos aqui nos lembrar que um dos maiores erros no plantio de igrejas é tratar o evangelho como um projeto. O evangelho não é um projeto. É Cristo. E, portanto, é a Palavra de Deus, anúncio da pessoa de Cristo, sua vida e missão, que converte os corações. Apesar de crer que é necessário a um plantador de igrejas se disciplinado e organizado não podemos cair no erro de tratar o evangelho e sua proclamação de forma gerencial e logística.
Freqüentemente percebo iniciativas evangelísticas que possuem uma ótima abordagem humana, clara comunicação, relevante apelo social. Porém peca onde não podemos errar: na ausência da Palavra no ato evangelístico. Precisamos revisar o conteúdo das nossas ações evangelísticas pois temos migrado da centralidade de Cristo para a exposição da igreja. Percebo que muitas iniciativas evangelísticas promovem a igreja, seu ambiente de segurança, moralidade e comunhão. Especialmente seu serviço. E não a Cristo. Corremos o risco de abarrotarmos nossas igrejas de associados a um serviço que valoriza a família e moraliza o homem, nada mais.
Há muitas estratégias de movimento de massa que são funcionais entretanto não são bíblicas. David Hesselgrave alerta-nos dizendo que “nem todo novo pensamento é dirigido pelo Espírito. Nem tudo o que é novo é necessariamente bom. A Bíblia é antiga, o evangelho é antigo e a Grande Comissão é antiga...”. Na verdade ele defende que neste imenso mar de necessidades no mundo não alcançado precisamos entender que “o evangelho dá a direção... pois a Palavra precede a nossa visão”.
Lembremo-nos do que centraliza a missiologia neotestamentária. O ponto central da Missiologia do N.T. é o evangelismo e evangelismo é o ato de proclamar o evangelho[9]. Vamos, portanto analisar e entender melhor este evangelho, já que ele é o conteúdo do nosso evangelismo.
Voltemos há cerca de 2.000 anos no tempo, especificamente na região da Palestina, nos lugares onde Cristo passaria. Imaginem um homem forte, vestido de peles de camelo, sandália gasta, barbas sujas, cabelos longos, carregando em sua bolsa apenas um pouco de mel. Seu nome era João Batista e ele prega ao povo. Seus sermões eram duros; ele falava sobre o “fogo consumidor”, o “machado posto à raiz das árvores” e da “palha queimada em fogo inextinguível”, e durante seus apelos ele usava termos fortes como “raça de víboras”.
De repente aparece perante o povo um outro homem, vestido simplesmente, rodeado por um grupo de homens também simples e com uma voz suave. Era Jesus. Ele, ao contrário de João, vem falando sobre “boas novas” (evangelho) e “boas novas do reino”. Sua mensagem é estranha. Ele vem falando sobre uma forma diferente de viver, uma forma evangélica, moldada pelo evangelho. Uma vida onde o marido não domina sua esposa, ama-a. Onde o perseguido não odeia aquele que o persegue, antes ora por ele. Onde o líder cristão não exerce domínio sobre o seu rebanho, mas serve-o. Onde a comunidade dos santos não organiza revoluções contra as más autoridades, porém intercede por elas. Onde o menor é o maior, morrer é um ganho, só se tornam fortes os que reconhecem a fraqueza. Onde se anda duas milhas com quem te obriga a andar uma, vira-se a outra face a quem te fere, não há apego a este mundo pois todos são peregrinos e a terra natal é desconhecida. A garantia que se tem é uma promessa e só se alcança a vida quem primeiro morre. Isto é evangelho, um recipiente de valores a um povo, os “do caminho”.
O evangelho nos primeiros séculos era um recipiente dos valores de Deus os quais reivindicavam um modo transformado de vida. Era prático, visível, existencial e contagiante.
Homens ricos paravam de roubar para devolverem o dinheiro até quatro vezes mais aos que foram por eles ludibriados. Mulheres adúlteras largavam suas vidas de promiscuidade e transformavam-se instantaneamente em testemunhas. Pescadores largavam suas redes para seguirem um carpinteiro de Nazaré. Muitos vendiam tudo o que tinham para distribuírem entre os que nada possuíam. Milhares morriam crucificados ou queimados por se recusarem a negar o seu Senhor o qual nunca haviam visto face a face. Era o evangelho sendo proclamado e vivido.
Infelizmente, após os séculos, ser evangélico passou a significar apenas um estado denominacional. Gostaria, portanto que entendêssemos que o evangelho, desta forma, não era apenas boas novas, boas notícias, mas boas novas que reivindicavam um modo de vida transformado, segundo os valores de Deus.
Há duas verdades que necessitamos compreender sobre o evangelho: sua procedência e seu conteúdo. No N.T. confrontamo-nos repetidas vezes com a apresentação do evangelho como “evangelho de Deus”, apontando para a procedência do evangelho, ou seja, ele não é uma invenção humana, e sim uma revelação divina. Em 1 Co 9:18, quando Paulo expressa que “evangelizando proponha... o evangelho” entendemos a princípio que o conteúdo do evangelismo é o evangelho. Mais adiante, no capítulo 15 da mesma carta, Paulo fala à Igreja sobre o “evangelho que vos anunciei” (v.1) e no verso 3 ele começa a narrar sobre este evangelho dizendo:
“... Que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia...”
ou seja, Jesus Cristo é o próprio evangelho. Desta forma, começamos a entender que o conteúdo do evangelismo é o evangelho e o conteúdo do evangelho é Jesus Cristo.
Portanto podemos afirmar que não há verdadeira e bíblica evangelização sem a apresentação do Senhor Jesus. Históricas cativantes, testemunhos empolgantes, maravilhas e sinais, encenações e boa vontade não substituem o elemento central da evangelização: o Senhor Jesus. Não há evangelismo sem a cruz de Cristo. Não há salvação sem o Seu sangue. Não há salvação em outro Nome. Não há história maior que a Sua história.
Devemos nos acautelar de não confundirmos a apresentação da ética cristã com a apresentação de Jesus Cristo. Ouço pregadores e evangelistas que, no afã de se aproximarem do povo e lhes transmitir uma mensagem que lhes soe palatável, nada mais fazem do que defenderem os benefícios da ética cristã, do comportamento cristão, dos valores históricos do cristianismo. Tal apresentação poderia ser feita, porém, por qualquer descrente ao expor a história do cristianismo em uma sala de aula. É preciso apresentar a Cristo! Expor sua vida como o cumprimento da promessa do Pai. Seu nascimento maravilhoso que inseriu esperança na história humana. Seu caráter e vida. Sua morte e ressurreição. Seu sangue resgatador. Seu amor incondicional. Seu caráter de Servo e poder de Rei. O que ele fez em minha vida. Como me transformou. Como o fez em muitas e muitas pessoas. O que fará também por você. É preciso crer na mensagem, compreender seu valor e segui-Lo. O evangelismo sem Cristo é um palco com palavras soltas, nada mais do que interessantes, que poderão convencer alguns do valor do cristianismo mas jamais os levarão a salvação de Deus, pois a salvação de Deus é Cristo.
 
Estratégia 4
Oração
Patrick Johnstone, um dos maiores missiólogos dos nossos dias afirma que quando o homem trabalha, o homem trabalha. Quando o homem ora, Deus trabalha. Missiólogos e pesquisadores como David Garrison, Patrick Johnstone, David Barrett, Bruce Carlton, J. Johnson e David Watson tem mencionado a clara ligação entre a oração e o plantio de igrejas. Os grupos étnicos, bairros, ruas e cidades que são alvo de oração são justamente os povos e lugares onde o evangelho tem se enraizado com mais afinco. Não deveria ser, para nós, uma surpresa pois cremos que Deus responde as orações.
O Senhor Jesus nos ensinou que a oração, associada à fé promove uma resposta do Pai (Mt 21:22). Também nos lembrou que nos embates mais difíceis no Reino de Deus devemos nos preparar com oração e jejum (Mt 17:21). O Mestre também associou a oração à vida diária com Deus, necessidade de todo homem (Lc 6:12), e se entristeceu porque os seus discípulos dormiam quando precisavam vigiar (Lc 22:45). Depois da sua morte vemos estes discípulos unânimes na oração (At. 1:14). Pedro e João saíam juntos para orar (At. 3:1) e os apóstolos se reservaram ao ensino da Palavra e oração (At 6:4) para a edificação da Igreja. Paulo nos diz que ora pelas igrejas plantadas (Ef. 6:18) e Pedro nos exorta a vigiar em oração (1 Pedro 4:7). A oração permeia a Palavra como ensino para nós, para a Igreja e para a sinalização do Reino na terra. Há uma clara associação entre a oração e as respostas de Deus.
Creio que há possivelmente no mundo hoje mais de 200 grandes movimentos de plantio de igrejas em pleno andamento. Em todos eles seus líderes testificaram a presença de oração intencional, voluntária e abundante. Tanto pela equipe que evangeliza e planta igrejas quanto pelo povo que recebe o evangelho. Se desejamos plantar igrejas precisamos orar.

A oração foi uma atividade constante entre os primeiros convertidos do povo Khmer no Cambodja. Ali 3.3 milhões de pessoas haviam sido mortas no regime autoritário de Pol Pot’s entre 1975-1979. Vários cristãos também haviam sido mortos e em 1985 não havia mais do que 450 evangélicos entre o povo Khmer. Porém o povo orava, e o fazia pedindo ao Pai para que o evangelho entrasse em cada casa. A partir de 1999 o número de evangélicos cresceu de 600 para mais de 60.000 divididos em 700 igrejas. Hoje se registram mais de 100.000 evangélicos e mais de 800 templos entre eles.

Durante anos cristãos chineses oraram por uma das cidades mais duras para o evangelho. Assim a cidade de Kanah, na China, começou a experimentar um rápido crescimento evangélico mudando o cenário de 3 igrejas reconhecidas pelo Estado para 57 novas igrejas dentro de dois anos. Em novembro de 1997 contabilizou-se mais de 450 igrejas em três províncias e mais de 18.000 pessoas entregaram-se ao Senhor Jesus. Hoje Kanah é uma das mais influentes regiões cristãs na China com mais de 500 igrejas reconhecidas.

A oração perseverante por parte dos poucos crentes também foi uma marca constante entre os Kekchi na Guatemala onde este grupo com cerca de 400.000 pessoas vivendo na região de Alta Verapaz foi impactada pelo evangelho. Entre 1993 e 1997 mais de 20.000 pessoas aceitaram ao Senhor Jesus e 245 congregações nasceram. Entre 1997 e 2000 outras 10.000 pessoas aceitaram ao Senhor Jesus e há entre eles hoje mais de 400 igrejas registradas.

A Southern Baptist Mission, nos Estados Unidos da América, orou durante anos pelos Kui na Índia, um grupo com 1.7 milhões de habitantes na região de Orissa, estado na costa leste da Índia. Os primeiros convertidos haviam vindo a Cristo em 1914 com missionários ingleses. Nos anos 20 algumas poucas igrejas nasceram. Houve um despertar de oração por aquele lugar, a partir da América. Após 1988, nos anos seguintes, mais de 100 igrejas surgiram, especialmente ligadas a missionários da Southern Baptist Mission. Entre 1988 e 1991 as igrejas aumentaram para mais de 200. Entretanto entre 1993 e 1997 houve um crescimento ainda maior e mais de 900 igrejas foram registradas entre os Kui com cerca de 80.000 convertidos.

Entre os Mizo, na Índia, o evangelho chegou em 1894 através de missionários britânicos. Eram conhecidos com uma força missionária que “pregava e orava” para o povo Mizo com uma população de 686.000 pessoas. Em 1900 contavam com 120 cristãos. Como resultado do avivamento no país de Gales em 1904, um número expressivo de missionários foi enviado para esta etnia. Seguiu-se a isto uma vasta cobertura de oração. Somente a partir dos anos 50 os resultados passaram a ser mais visíveis e conversões eram notificadas em grande número. Hoje 85% de todos os Mizo na Índia consideram-se cristãos.
Rossana e eu experimentamos momentos abençoados no plantio de igrejas entre os Konkombas. Um fato que guardamos com carinho em nossos corações é a convicção que o nascer destas igrejas foi resposta de Deus à oração do Seu povo. Minha mãe, Euza Lidório, coordena um ministério voluntário que iniciou tempo atrás, quando fomos para a África. São os vigilantes de oração. Ela produz calendários mensais com pedidos de oração de missionários de todos os cantos da terra e os distribui gratuitamente para irmãos que desejam formar grupos que orem por estes motivos semanal ou mesmo diariamente. Hoje este ministério conta com mais de 600 grupos espalhados por todo o Brasil, dois deles em penitenciárias onde crentes se reúnem para interceder pela obra missionária. Convictos estamos que a conversão do povo Konkomba seguiu-se ao movimento de oração. Deus responde as orações.
Mobilize pessoas para orar pelo seu projeto de plantio de igrejas. Seja o primeiro também a interceder diariamente perante o Pai por ele. Creia que Deus há de responder as orações.

Estratégia 5
Organização de igrejas locais
 

O ajuntamento dos convertidos em uma comunidade local para comunhão, estudo da Palavra, oração e mútuo encorajamento era a estratégia paulina. A eleição de presbíteros, líderes locais, liberava o apóstolo para o plantio de outras igrejas e contribuía para o amadurecimento da comunidade local (At. 14:21-23). O apóstolo Paulo, portanto, não apenas investia sua vida e forças na evangelização mas concentrava-se também na conclusão deste processo que envolvia discipulado e organização de igrejas locais. Devemos observar uma clara diferença, portanto, entre o evangelismo e o plantio de igrejas. Enquanto o evangelismo se atém à comunicação do evangelho a um indivíduo ou grupo, visando levá-lo ao conhecimento de Cristo, o plantio de igrejas deseja investir no discipulado, ajuntamento dos santos, ensino da Palavra, desenvolvimento de liderança local, momentos de comunhão, adoração e oração além do enraizamento de um senso missionário.
Michael Green chama a nossa atenção para a dinâmica da Igreja no Novo Testamento. A comunhão entre os irmãos (At. 2:44-47) era a marca do povo de Deus. Quando o historiador relata que “todos os que creram estavam juntos” ele nos leva a refletirmos sobre a própria natureza da igreja. O ajuntamento dos santos não é uma simples estratégia de plantio de igrejas mas sim uma fundamental necessidade que temos, enquanto seguidores de Cristo, se partilharmos com o irmão a nossa fé, louvor, testemunho, encorajamento, oração e estudo da Palavra.
Na organização de igrejas locais precisamos observar algumas orientações bíblicas:
  1. Evangelismo e discipulado são dois elementos que precisam caminhar em equilíbrio. Se houver uma ênfase no primeiro em detrimento do segundo teremos igrejas superlotadas de pessoas interessadas na Palavra mas com poucos convertidos e amadurecidos em Cristo. Na ênfase oposta teríamos um grupo pequeno de crentes, maduros e firmes, porém vivendo em uma congregação estática sem o acréscimo de novos à fé cristã.
  2. O discipulado é o melhor momento para a identificação da futura liderança local. Um plantador de igrejas deve identificar entre seus discípulos aqueles que são líderes. Nestes investir com o objetivo de capacitá-los. Além do estudo da Palavra permita que seus discípulos o acompanhem nas visitas, no evangelismo e na solução de conflitos.
  3. Ajuntamento para o culto público a Deus é um ato que deve ser central na organização de igrejas locais. Nós nos reunimos para Deus e por Deus e o culto público nos lembra disto.
  4. A eleição ou apontamento de líderes locais é um passo importante e deve ser dado com segurança a partir de crentes que sejam fiéis a Deus, conhecedores da Palavra e já tenham sido testados na fé.
  5. A Ceia do Senhor e o Batismo promovem a comunhão e compromisso.
  6. A exposição da Palavra, seja em um púlpito de maneira formal ou o ensino de casa em casa em contexto informal deve ser central na vida da Igreja. Sua maturidade dependerá do conhecimento, amor e compromisso que tem com a Palavra de Deus.
  7. A responsabilidade missionária não deve esperar. Já no discipulado e primeiras reuniões a igreja deve ser levada a reproduzir aquilo que aprendeu do Senhor perante outros, seja perto, seja longe. Lembre-se que a igreja, ainda incipiente, somente aprenderá se você a conduzir no evangelismo, levando os novos contigo para o alcance de outros.
 
 
Devemos nos lembrar que todo amplo movimento de plantio de igrejas que tornou-se regionalmente duradouro contou com um forte envolvimento de pessoas locais desde a primeira fase. O investimento em pessoas locais, passando-lhes a visão, paixão e estratégias garantirá um processo de plantio de igrejas que vá além do missionário ou evangelista. Irá além de sua geração. Não devemos medir o quão sólido é um projeto de plantio de igrejas pelo número de pessoas envolvidas ou a estrutura construída para tal. Devemos medi-lo pela quantidade e qualidade de pessoas locais que estão sendo discipuladas e preparadas para a liderança.
A reprodução de igrejas plantadas em uma segunda fase idealisticamente deve ser feita através dos frutos e não da raiz do movimento. Nesta etapa os missionários devem estar já assumindo uma posição de supervisão da visão e encorajamento, e não de linha de frente. Igrejas devem plantar igrejas. O modelo missionário que sugiro é: inicie, discipule, reproduza, assista, encoraja, parta e supervisione.

A fim de termos igrejas com o DNA missionário é preciso investir no ensino e na experiência. Apelos missionários, estatísticas quanto aos perdidos e histórias desafiadoras não constroem um DNA missionário em uma igreja local. É preciso mesclar dois elementos transformadores: o ensino da Palavra e a experiência evangelística. É preciso pregar sobre o mandato bíblico da evangelização. Expor com clareza qual é nossa missão. Mostrar com evidências bíblicas nossa responsabilidade perante o mundo. É preciso também levar a igreja a experimentar a missão. Levá-los para as ruas, para as esquinas, para as praças e condomínios onde poderão falar abertamente de Jesus, compartilhar sua fé, evangelizar o que está perdido. O ensino da Palavra associado à experiência evangelística são dois elementos construtores de um DNA missionário em uma igreja local embrionária.
 

Estratégia 6
Discipulado e treinamento de líderes locais
Os crentes no Novo Testamento eram não apenas rapidamente incorporados à igreja mas também eram discipulados e treinados como líderes locais. A multiplicação de liderança local é proporcional à multiplicação de igrejas. Uma igreja local, sob o critério de crescimento, deve ser analisada pela quantidade e qualidade de líderes em treinamento e não quantidade de membros[10].
Michael Green observa que o discipulado na Igreja Primitiva era intencional no preparo de homens e mulheres que pudessem evangelizar e plantar novas comunidades cristãs.
Hibbert[11] avalia que o discipulado é algo a ser realizado de maneira intencional, porém informal e que envolva testemunho pessoal. Envolve: a) caminhar com o discípulo – incorporá-lo em sua vida diária de maneira que haja constante comunicação; b) testemunhar ao discípulo – evidenciar com sua vida como é seguir a Jesus; c) ensinar o discípulo – estudar com ele a Palavra de maneira sistemática; d) dar oportunidades ao discípulo – para que ele possa, assim que possível, desenvolver atividades em conjunto com seu discipulador; e) permitir que o discípulo discipule.
Entre os Konkombas em Gana, identificamos dentre os novos convertidos aqueles que desejavam aprender mais e com maior continuidade. Com estes 6 caminhamos de forma próxima durante cerca de 3 anos. Convidava-os para me acompanhar em cada visita ou viagem. Estavam presentes no evangelismo público. Acompanhavam-me nas visitas aos enfermos e necessitados bem como na solução de conflitos. Este grupinho inicial hoje lidera todas as 23 igrejas. São os 5 pastores e Makanda, um dos presbíteros de maior expressão na Igreja dentre os Konkombas.
Ao evangelizar identifique aqueles que desejam aprender mais. Aqueles que possuem coração ensinável, sede da Palavra e disposição para estar ao seu lado. Com estes, caminhe de forma sistemática por pelo menos 2 anos. Estude com eles a Palavra semanalmente. Visite-os no trabalho e em casa. Desenvolva amizade para que tenham abertura para abrir seus corações. Incorpore-os a algumas de suas atividades ministeriais como visitação e evangelismo público. Insira-os na vida diária da igreja dando-lhes responsabilidades. Acompanhe-os de perto e lhes dê também desafios: dar publicamente seu testemunho, cooperar com algum ministério da igreja, expor sobre um texto bíblico em um grupo menor. Perceba quando estarão prontos para assumir responsabilidades maiores. Solte-o para que possam caminhar sem você e incentive-os a discipulador outros.
 
 
Estratégia 7
Envolvimento social que promova ações sociais
Lucas 10, ao relatar sobre um sacerdote, um levita e um samaritano perante um homem caído ao longo do caminho nos fala sobre falsa religiosidade e verdadeiro cristianismo. O sacerdote, conhecedor da Palavra, e o levita, ministro da adoração a Deus, formavam o clero religioso da época. Sua relutância em parar perante um homem caído ao lado demonstra muito mais que insensibilidade. Mostra que é possível ser Igreja, conhecer a Palavra, se envolver com a adoração a Deus e ao mesmo tempo desprezar o desespero humano.
Assim também podemos plantar igrejas que falam de Cristo e amam a Palavra de Deus ao mesmo tempo em que desprezamos o desespero daqueles que estão ao nosso redor. É possível haver ajuntamento dos santos em meio à miséria humana sem que estes sequer a observem, e isto ocorre todos os dias.
No estudo demográfico é preciso observar a comunidade onde você vive e prega a Palavra. Quais seus anseios e reais necessidades. Quais os elementos de desespero. O que é preciso ser feito. Quais são as causas humanamente perdidas para que com elas nos envolvamos. Onde estão os caídos ao longo do caminho.
É certo que Calvino defendia uma escola para cada igreja na Genebra reformada. Porém sua influência social foi bem além da educação. Harkness menciona que Calvino nutria o desejo de transformar Genebra na Civit Dei – cidade de Deus. Ganoczy complementa expondo que esta “cidade de Deus” consistia no fato de ver a Palavra pregada influenciando todos os aspectos da sociedade: a moral, ética, comportamental, educacional e social. Calvino não planejou simplesmente plantar uma igreja em Genebra. Ele planejou influenciar Genebra ao ponto dela refletir os valores de Cristo.
Ao olharmos para uma área, bairro, cidade, segmento social ou etnia, devemos nos perguntar como podemos comunicar Cristo e a Palavra de forma que os valores do Reino produzam salvação e transformação.
Igrejas plantadas que ao longo dos anos não fomentem transformação humana e social são redutos espirituais que, mesmo na busca cúltica pelos valores do Reino, deixam de ser sal da terra e luz do mundo. Alguns passos podem ser dados:
  1. Peça ao Senhor para sensibilizar seu coração, para que você seja levado a se importar e observar as demandas humanas e sociais. Olhe para onde está o sofrimento humano.
  2. Pregue de forma inconformada com o pecado e suas conseqüências, como a injustiça humana, crendo que Cristo há de salvar a alma e dar senso de justiça ao corpo.
  3. Desenvolva uma linha de ação a partir do perfil da sua igreja. Se há um corpo presente de médicos e enfermeiros promova clínicas volantes. Se há mães e mulheres dispostas inicie uma creche de auxílio à comunidade carente. Se há um corpo de psicólogos desenvolva um programa de auxílio às doenças emocionais.
  4. Inicie um projeto pequeno e experimental. Envolva-se pessoalmente neste projeto.
  5. Envolva a igreja com a sociedade. Deixe que ela sinta o sofrimento humano e passe a se importar. Leve-os a transitar na sociedade local.
  6. Exponha na Palavra a diferença que Cristo faz em uma sociedade transformando o sofrimento em esperança.
  7. Não se deixe corromper pela revolta contra a miséria e injustiça pois um espírito revoltado não possui equilíbrio para a batalha. Tenha em mente que a Palavra é o melhor instrumento e o maior bem que você pode usar e entregar a uma sociedade. Somente o evangelho produzirá transformação durável e permanente.
 
Estratégia 8
Desenvolvimento do perfil de plantador de igrejas

Este é, sem dúvida, um dos assuntos mais complexos quando lidamos com projetos de plantio de igrejas. Há vasto material escrito sobre o assunto, fóruns e consultorias que tentam padronizar o perfil de homens e mulheres que plantam igrejas analisando seus pontos fortes, suas características pessoais e ministeriais e suas limitações.
Creio que, certamente, há um perfil geral que deve ser observado e citaremos a seguir algumas destas características, ou atitudes, necessárias. Porém, após alguns anos de observação tenho concluído que o plantio de igrejas não está necessariamente associado ao temperamento ou carisma mas sim a convicções e postura. Tenho visto um sem número de homens e mulheres com todas as características humanas imagináveis para um bom plantio de igrejas, como senso evangelístico, carisma pessoal, pessoalidade, informalidade e dinamismo parando ao longo do caminho após tentar sem sucesso levar adiante um projeto local. Por outro lado percebo homens e mulheres com características humanas que, em uma primeira análise, pesariam negativamente na balança, como uma forte introversão, falta de carisma pessoal, dificuldade de se comunicar e transitar com freqüência na sociedade, pouco dinamismo e assim por diante, mas plantam igrejas que parecem brotar com naturalidade.
Hesselgrave[12] em seu livro “Plantar Igrejas” trata do perfil do plantador de igrejas destacando sua integridade com Deus, a missão e o povo. Retira, de certa forma, a ênfase na metodologia e a coloca no coração íntegro daquele que ouve o chamado de Deus e deseja obedecer. O fato é que um plantador de igrejas não pode ser identificado apenas por características externas mas sim pela postura do coração. Talvez fosse até mesmo redundante afirmar quantos homens e mulheres preparados para o plantio de igrejas, tendo os recursos, a capacitação, o envio da igreja local e o pastoreio e apoio da organização missionária, mas que não vão longe pela falta de integridade. Seja com seu coração, o de outro ou o de Deus.
Portanto podemos refletir, nesta altura, que as convicções e chamado do plantador de igrejas é muito mais fundamental para tal ministério do que seu perfil humano. Suas atitudes e disposição farão mais diferença no processo de plantar igrejas do que suas áreas de facilidade e habilidade.
Quando procuro por um plantador de igrejas que junte forças conosco, ou em algum projeto com o qual estejamos associados, tenho em mente 5 características que não devem faltar:
Forte convicção do chamado – a certeza de que ele ali está porque o Senhor assim quer, e o convocou para o serviço.
Integridade – para com o chamado do Senhor, os colegas com os quais trabalhará e o povo com quem conviverá.
Espírito ensinável – disposição e humildade para ouvir, ponderar, aprender, fazer escolhas sinceras e também ensinar.
Ardor evangelístico – desejo de fazer Jesus conhecido, e com iniciativa para tal.
Temor ao Senhor – relaciona-se com Deus como servo disposto a servir.
Alguns erros mais comuns ao plantador de igrejas:
1. Tratar o plantio de uma igreja de forma puramente gerencial. O plantio de uma igreja é uma atividade espiritual que demanda vida com Deus e a Palavra de Deus. O trato gerencial compromete a espiritualidade e foca as atividades promotoras das aglutinações humanas. O resultado, comum em diversas situações, é o plantio de igrejas grandes mas rasas. A geração de movimentos com grande mobilização social mas pouco compromisso com Deus.
2. Plantar a “igreja dos seus sonhos”, ou seja, uma igreja para si, que possa acomodá-lo e satisfazê-lo ao longo dos anos. Um local que lhe dê segurança ministerial. Esta atitude compromete seu ministério ao submetê-lo a um sonho puramente pessoal. Compromete também a vida e gera incrível frustração caso seja dirigido por Deus para um outro local. Plante igrejas para Deus e Sua glória. Não se sinta tutor da mesma. Concentre-se no ministério e chamado do Senhor e tenha em mente que Ele pode lhe dirigir para fora da zona de conforto.
3. Plantar igrejas a partir de outras igrejas. O plantador de igrejas deve estar nas ruas e não nos pátios de outras igrejas. Salvo em caso deste desmembramento ser uma estratégia para o plantio de novas igrejas, em comum acordo com a igreja mãe, como tem sido feito com ótimos resultados em diversos lugares. Plantar igrejas a partir de divisões ou atrações de outros rebanhos gerará uma igreja tendente à divisões no futuro. Também enfraquecerá e desmotivará outras igrejas e impedirá a comunhão tranqüila entre as comunidades e ministros. Um plantador de igrejas deve começar nas ruas e praças, rádios e tvs, universidades e escolas primárias, nos abrigos e condomínios de luxo. Onde há gente que ainda não se entregou a Jesus.
Manoel de Oliveira Junior[13], plantador de igrejas e atual pastor da Igreja Nova Vida em Framingham, EUA, possui uma clara visão sobre as característica de um plantador de igrejas. Ele iniciou a Igreja Nova Vida em Framingham em 27 de junho de 1999 com 5 pessoas. Após 8 anos de ministério a igreja conta hoje com 320 membros tendo também contribuído para o plantio de outras 3 novas igrejas também entre imigrantes brasileiros. Nos primeiros anos 70% dos membros eram pessoas que haviam se entregado a Cristo naquele lugar. Recentemente adquiriram um templo construído em 1872 pertencente à United Church of Christ. Em 1920 esta igreja contava com 1.200 membros, porém após um processo de liberalismo teológico não passa hoje de uma pequeníssima comunidade com menos de 25 membros. A Igreja Vida Nova adquiriu este templo, marco histórico da presença do evangelho na cidade e a partir dali tem feito diferença na Grande Boston.
 
Ele expõe 5 principais características para um plantador de igrejas: ter uma boa teologia, cultivar um coração apaixonado pelos perdidos, encarnar seu projeto ministerial, identificar-se com o povo e aproveitar as oportunidades.
Uma boa teologia conduz a uma boa metodologia, com segurança bíblica e valores do Reino. Desta forma a Nova Vida compreende que a missão da igreja na Grande Boston envolve participar e minimizar dos conflitos humanos entre imigrantes que ali chegam e se estabelecem. A Igreja, assim, desenvolveu diversos cursos e grupos de apoio para esta comunidade como o curso de treinamento financeiro para imigrantes, assessoria aos alcoólatras anônimos para atingir este grupo, uma escola de Inglês em parceria com o governo e prefeitura para os imigrantes brasileiros, com 180 alunos, grupo de apoio para mulheres vítimas de violência doméstica e outros mais. Também desenvolvem um apoio às necessidades emocionais através de aconselhamento sistemático, após terem identificado as fontes de estresse do imigrante na região. Pode-se perceber que estas atividades estão diretamente associadas à teologia, compreensão da missão, natureza e propósito da igreja neste lugar.
Manoel expõe que o plantador de igrejas não deve observar seu ministério como uma oportunidade ministerial mas como uma proposta de vida. Deve, assim, encarnar seu projeto ministerial. Ao fazer isto ele irá investir sua vida, envolver sua família e também comunicar sua visão para aqueles que estão ao seu redor. Cita também a necessidade de aproveitar as oportunidades evangelísticas e de discipulado. Plantar uma igreja entre imigrantes nos Estados Unidos implica em lidar com pessoas que trabalham, muitas vezes, de 12 a 16 horas por dia em dois ou mesmo três empregos e não raramente 6 ou 7 dias por semana. O evangelismo e discipulado precisam ser desenvolvidos de maneira planejada e com aproveitamento de oportunidades. Ele narra que evangelizava e discipulava os recém convertidos nos intervalos do trabalho, nos pátios de estacionamento e, muitas vezes, ao levar e trazer pessoas para seus empregos.
Dentre várias característica de um plantador de igrejas gostaria de pensar um pouco em duas essenciais: ser um visionário e alguém identificado com o povo.
A visão determina nossas atitudes e iniciativas. Iniciar um projeto de plantio de igrejas sem visão definida é como uma viagem sem rumo. A ausência de uma visão definida não apenas compromete o trabalho do plantador de igrejas como também o impede de gerar aliados à sua visão. Quando iniciamos nosso trabalho entre os Konkombas em Gana na África nossa visão era “plantar uma igreja nativa, autóctone, bíblica, contextualizada e missionária que promova o treinamento de liderança local e faça diferença na sociedade tribal Konkomba-Bimonkpeln”. Além de ter nascido de uma convicção espiritual esta visão era algo definido que nos norteava, filtrava nossas prioridades e nos dava critérios de avaliação de nosso ministério.
Uma visão definida irá eventualmente sugerir metas, planos, estratégias e abordagens porém manter a visão é o elemento fundamental sem o qual nenhum ministério poderá se sustentar por muito tempo. Devemos, assim, buscar a visão de Deus a seguir. Bem sabemos que nem toda visão de um homem de Deus, ou da Igreja de Deus é necessariamente visão de Deus. Portanto importa-nos buscar e seguir a visão de Deus. E quando o Senhor a transmite aos nossos corações somos levados a encarná-la, vivê-la, lutar por ela e influenciar pessoas com tal visão.
 
A identificação com o povo não é meramente conseqüência de empatia sociológica a partir da compreensão do segmento humano com o qual você trabalha, mas sim passional, com envolvimento de alma e coração. Não creio em plantadores de igrejas que não possuem um envolvimento pessoal com o povo alvo. Que não transite entre eles, não sinta suas alegrias e angústias, que não se transtorne ao perceber o efeito do pecado em suas vidas. Não conheça seus sonhos e não sonhe.
A identificação com o povo alvo é um processo decorrente da vivência. Ou seja, por não termos nascido ali, não possuirmos de maneira natural os sentimentos, impressões e padrões comportamentais do povo com o qual passamos a trabalhar, é necessário haver convivência a fim de que haja identificação.
Magno e Fátima são plantadores da igreja batista em Brasília Teimosa, Recife, um bairro desafiador com grave pobreza e todas as mazelas advindas da mesma. Jamais conheci um casal tão identificado com o povo. Em 1986, quando iniciava meu curso de teologia no Recife e tive o privilégio de assessorar e aprender com este casal, percebi o quanto alguém poderia se envolver com uma visão. Fátima entrava nos prostíbulos para evangelizar as mulheres e saber de sua saúde com a naturalidade de alguém que senta-se em um banco no parque. Conhecia cada uma pelo nome, preocupava-se com a insegurança das mesmas e não raramente, ao sair do lugar, orava por elas e objetivamente as desafiava a abandonar aquela vida e seguir a Cristo. Várias se converteram e seguiram a Jesus.
Porém tal identificação foi resultado de convivência. Magno e Fátima, sentindo a direção de Deus para evangelizar aquele difícil bairro decidiram deixar um local confortável para ali comprar uma casa e morar com o povo. Ali também criaram seus filhos, do outro lado da rua construíram a igreja, em todas as esquinas cultivaram amigos e se tornaram não apenas moradores mas membros daquele bairro. Não há identificação sem convivência.
 
Samuel Vieira[14] em seu artigo “Motivações para a plantação de igreja: buscando as razões concretas” ele destaca inicialmente as principais razões equivocadas para o envolvimento no plantio de uma igreja local: a) auto-promoção – que tenciona tão somente projetá-lo perante outros ministros e pastores; b) resolução de conflitos – quando sua experiência pastoral foi negativa e procura, portanto, “algo novo”; c) busca de emprego – quando muitos se envolvem no plantio de igrejas sem vocação mas apenas por oportunidade.
Expondo as motivações corretas Samuel Vieira enfatiza: a) a glória de Deus – o investimento naquilo que é desejo de Deus e apenas para Deus; b) paixão interna – não deseja estar em outro lugar fazendo qualquer outra coisa; c) o entendimento de que a igreja é a forma mais eficiente de evangelização.
Por fim afirma que “o chamado para plantação de igrejas pode ser uma estratégia que Deus coloca em nossos corações e que nos faz consumir com tal pensamento. Por isto, é necessário que o fogo de Deus acenda mais fortemente em nossos corações. Que sejamos consumidos por tal idéia. Antes de decidirmos que vamos plantar uma nova igreja, deveríamos confirmar nosso chamado, checando nossas motivações, para a referida tarefa”.
É necessário também refletirmos sobre o plantador de igrejas do ponto de vista bíblico-teológico do chamado ministerial. Em Efésios 4:11 o apóstolo Paulo nos ensina que o Senhor chamou[15], em sua Igreja, homens para funções ministeriais definidas, para a edificação do Corpo, utilizando aqui 5 categorias: apóstolos, pastores, evangelistas, mestres e profetas. Algumas conclusões textuais são importantes para nós neste momento.
Primeiramente entendermos que todos os santos fazem parte do Corpo, da Igreja de Cristo, porém alguns foram chamados para exercer função específica na edificação desta Igreja. Em segundo lugar percebermos que o chamado ministerial é funcional, ou seja, precisamos conhecer o nosso chamado para melhor servirmos assim ao Senhor. Também entendermos que, desta forma, muitos podem estar tentando servir a Deus, atuando ministerialmente em algo distinto do seu chamado.
Quando utilizamos um título eclesiástico, seja pastor, evangelista, reverendo ou bispo estamos reconhecendo um padrão de tratamento, em decorrência de posição ministerial, utilizado por uma denominação. Nem todo “pastor” tem um chamado pastoral. Muitos são de fato mestres. Nem todo “evangelista” é realmente um evangelista. Muitos são pastores. E assim por diante.
Creio que identificarmos o nosso chamado ministerial de maneira funcional à luz de Efésios 4 é fundamental para servirmos a Deus. Não se preocupe demasiadamente para onde você vai, mesmo porque a direção geográfica que Deus nos dá muda com freqüência. Preocupe-se em saber quem você é ministerialmente. Se um apóstolo, pastor, evangelista, profeta ou mestre.
O apóstolo, do verbo apostelo indica aquele que é enviado. Refere-se historicamente aos que foram enviados por Cristo para a expansão de Sua Igreja. John Knox entendia que o apóstolo era a pedrinha lançada bem longe, aqueles que são enviados aonde ainda a mensagem não chegou, a Igreja não está presente. Maxwell se refere a estes como os abridores de caminho e na tradição cristã os apóstolos foram usados por Deus para inserir a mensagem do evangelho em lugares ermos e remotos. Podemos entender que um apóstolo, no sentido funcional do chamado, seja alguém atraído pelos perdidos. Seu desejo é anunciar a Cristo e ele o faz com alegria de coração. Ao chegar em um campo lança o evangelho por toda parte. Quando nasce a Igreja seu coração já começa a despertar interesse para lugares mais distantes e menos alcançados. Um apóstolo, funcionalmente, é um plantador de igrejas, atraído pelas massas não alcançadas, sempre pensando em um lugar novo para ir, em um campo novo a semear.
O profeta, ou profetes no texto original, se refere àquele que fala da parte de Deus. O profeta não possui compromisso enraizado com a Igreja mas sim com a mensagem de Deus. Seu prazer está em anunciá-la e quando o faz entende que cumpriu a missão. É inconformado com o mundo e com a Igreja. Não precisa de títulos ou palcos para apresentar a mensagem. O faz com um grupo de 5 pessoas com a mesma intrepidez que o faria para 5.000. Sua mensagem é inconformada, transformadora, questionadora. Fala ao povo de Deus e fala ao povo sem Deus.
O pastor, poimenos, é um apascentado do rebanho. Seu prazer está em conduzir o rebanho ao Senhor Jesus. Conhece a comunidade que apascenta, se envolve com ela, enraíza-se onde está. Sua alegria é saber como está cada membro da igreja local, quais são suas dores, visitá-los de casa em casa, abraçá-los na porta da igreja. O pastor, poimenos, é pessoal, pastoral, cuidadoso, envolvido com o grupo.
O evangelista, ou euaggelistes, não é o que entendemos por evangelista. O euanggelistes no Novo Testamento era mais um discipulador. Falava de Cristo mas seu desejo primordial era levar homens e mulheres a serem transformados “ao molde do evangelho”. O evangelista realiza um trabalho silencioso, pessoal, apaixonado. Realiza-se quando há amadurecimento dos novos convertidos. Quando passam a amar a Cristo e a se parecer com ele. Ama o trabalho um a um. Sentar com um interessado no evangelho, ou recém convertido, e acompanhá-lo discipulando-o. É envolvido com o grupo mas ainda mais envolvido com indivíduos.
O mestre, ou didaskalos, ama a Palavra. Seu prazer está em expor a Bíblia de forma clara. Quando a mesma é compreendida e aplicada ele se realiza. Não se apega demasiadamente a um grupo, podendo transitar entre vários visto que a transmissão da Palavra é seu amor maior. Dedica-se a estudá-la, compreendê-la. Cada nova lição é um ato de amor de Deus para ele e dele para o povo que o ouve.
Há, certamente, irmãos que possuem um chamado ministerial para mais de uma destas funções no Corpo. Como Paulo, podemos ter apóstolos-profetas-mestres porém quero crer que a maioria de nós possui um chamado primordial, principal, que lhe enche o coração. Aquilo que fazemos com motivação total e também maior facilidade. E o reconhecimento da Igreja também o atesta.
Enviar um poimenos, pastor, para plantar uma igreja onde a Palavra ainda não é conhecida e não há convertidos é uma temeridade. Da mesma forma que indicar um apostolos, plantador de igrejas, para pastorear um rebanho. Precisamos saber quem somos, em relação a nosso chamado ministerial, e mantermos o foco do mesmo.
Plantadores de igrejas são pessoas chamadas por Deus para expor o evangelho aonde ele ainda não chegou, ou ainda não floresceu. Seria ideal pensar que em um projeto de plantio de igrejas houvesse uma equipe com irmãos nestas 5 diferentes funções. Em termos práticos percebo que muitos ministros são mal direcionados em seus ministérios, e também o permitem. As vezes por falta de oportunidade ideal. As vezes por falta de orientação. Tenho visto irmãos com claro chamado ministerial atuando em área distante deste seu perfil ministerial, e pagando por isto um alto preço de desanimo e descontentamento. Se um conselho pudesse ser dado seria este: cumpra o seu ministério para o qual Deus o chamou. Não se contente com nada menos que isto. Não negocie o seu chamado perante convites interessantes e propostas tentadoras. Nem mesmo o desejo do coração de entrar em uma zona de conforto. Lembre-se do seu compromisso com Deus.
Aos seminaristas e estudantes tenho sugerido que se testem no campo da igreja local ou da rua, dos povoados ou dos condomínios nas metrópoles. Jovens que sonham em plantar igrejas devem ir para onde a Igreja não está. Transitar pelas ruas, conversar com incrédulos, se expor a um projeto (ou cooperação com um projeto) que vise plantar uma igreja onde a Palavra ainda não germinou. Em 6 meses poderão compreender se este é realmente o chamado de Deus. Se esta é a direção e o que enche o coração. Conheço irmãos abençoados por Deus, com claro chamado ministerial, dons e talentos, mas que tem desanimado da caminhada porque permanecem fazendo aquilo para o qual outro foi chamado. Responda à esta pergunta: à luz de Efésios 4, para que você foi chamado ?
Meu pai, Gedeon Lidório, era pastor poimenos, ou pastor-pastor como gosto de falar. Seu amor estava em acompanhar o rebanho. Conhecê-lo, andar com ele. Até o dia da sua morte seu programa predileto era visitar os irmãos, saber de suas dores e ajudá-los. Eu era ainda seminarista e lembro-me que ele constantemente me chamava para ficar postado à porta da igreja após o culto dominical. Seu sorriso largo ao ver cada crente passando. Um abraço e uma pergunta pessoal. As vezes sobre alguém da família, uma situação no emprego ou algo mais particular. Seu prazer era conhecer o rebanho e caminhar com ele. Sua maior dor era partir para outro lugar.
Saber quem você é, qual o seu chamado, irá cooperar para o avanço do Reino e também alegria do seu coração.


[1] Kimball, Dan. They like Jesus but not the Church. Zondervan. Veja o site www.theylikejesus.com
[2] Para um contexto étnico definido, especialmente animista, proponho a utilização dos método Antropos, na análise cultural da população local e na construção da comunicação do evangelho em contexto intercultural. Mais detalhes podem ser encontrados no site www.antropos.com.br
[3] http://www.lideranca.org/cgi-bin/index.cgi
[4] Mestre em teologia pastoral pelo Calvin Seminary e doutor em teologia pastoral pelo Westminster seminary. É professor da Faculdade Teológica Sul Americana e coordenador do Brasil 2010 no sul do país.
[5] http://www.rubensmuzio.org
[6] Leia o artigo integral no link http://www.rubensmuzio.org
[7] CTPI - Centro de Treinamento de Plantadores de Igrejas – www.ctpi.org.br
[8] A maneira como se vê e interpreta o universo que o cerca
[9] O “Euaggelion” – Boas Novas, aponta para uma mensagem cujo conteúdo final é a própria pessoa de Jesus Cristo
[10] Cloud, Henry and John Townsend. 2001. How people grow. Zondervan – Grand Rapids
[11] Hibbert, Richard. Op. cit. pg 55
[12] Hesselgrave, David. 1984. Plantar Igrejas. Edições Vida Nova, São Paulo.
[13] Manoel de Oliveira Junior, 41 anos, é pastor ligado à Presbyterian Church in America, mestre e doutor em ministério urbano pelo Gordon Conwell Theological Seminary e plantador de igrejas
[14] Bacharel pelo Seminário Presbiteriano do Sul, Campinas, e Mestre em Teologia pela PUC do Rio de Janeiro-RJ. Professor no Seminário Presbiteriano Brasil Central-GO de Antropologia e Pós-modernismo. Atual Pastor da Igreja Presbiteriana de Anápolis- GO
[15] O termo grego refere-se a convovação. O desejo do mestre, ou general, convocando pessoas para servi-lo em um contexto específico
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