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A contracultura cristã

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A cultura do Reino de Deus é baseada na autoridade e governo de Deus, e os padrões do Reino de Deus são totalmente opostos aos reinos deste mundo. Os padrões do Reino de Deus são duradouros e não se degeneram com as adaptações da modernidade. O povo de Deus precisa ser capaz de rejeitar atitudes e padrões que não são pertinentes ao Reino de Deus, porque a cultura do povo de Deus é conformada segundo o Reino de Deus, onde o Rei – o Senhor do Reino está acima de qualquer comportamento que se opõe à Sua vontade e autoridade. A notícia e assunto principal dos filhos do Reino deve ser o Rei JESUS e as dimensões do Reino de Deus, coisas do Espírito, do reino espiritual.

Contracultura Cristã: a contracultura está relacionada às pessoas ou grupos de pessoas cujo comportamento é contra aquilo que está numa cultura geral. Contracultura é a atitude de uma pessoa ou de um grupo, cujo comportamento vai contra aquilo que é parte da cultura geral. A contracultura se opõe ao que é normal e habitual em determinada cultura. A contracultura cristã apresenta um padrão cristão, onde o caráter do cristão deve ser totalmente diferente daqueles admirado e vivido pelo mundo, sendo que o caráter do cristão foge do esquema cultural do mundo em geral.

Contracultura cristã é um sistema de valores cristãos, padrão ético, devoção religiosa, estilo de vida e relacionamentos; onde os padrões, valores e maneira de viver são delineados pelo governo de Deus.

Não podemos nos contentar em ser apenas uma “sub-cultura”, sendo este um grupo distinto de pessoas que se destaca como sub-grupo, mas ainda é parte de uma cultura existente. Ele tem pequenas peculiaridades, mas se conforma e interage bem na cultura, sem exercer nenhuma diferença.

1. As duas culturas interiores

O ser humano, ao ser criado e formado no jardim do Éden, e após fazer a sua escolha, passou a conviver com duas culturas diferentes. Ele fora criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26), e formado do pó da terra (Gn 2:7). Ele tinha de si, dois caminhos, duas naturezas e duas formas de ver o mundo, duas cosmovisões: a ótica e possibilidade de enxergar à luz da Árvore da Vida e a da Árvore do Conhecimento do bem e do mal (Gn 2:9). A primeira lhe conduziria à vida e a segunda à morte. O plano de Deus para o homem era a vida segundo a imagem e semelhança de Deus.

O homem escolheu a ver o que estava por detrás da ótica e cosmovisão da árvore do bem e do mal, mesmo sabendo da sentença que o seu uso traria: a morte. “E lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:16-17). Ele fez a opção de enxergar o mundo através da luneta, da ótica, da cosmovisão da morte.

O que estava envolvido nesta cosmovisão humana e maligna? O fruto desta árvore continha a visão terrena, humana, mundana, maligna e morte. Era o reino do mundo animal e natural e da atuação maligna. O homem preferiu conhecer a morte, pois o desconhecido o atraiu. Ele estava na vida e preferiu morrer.

O homem tinha duas naturezas, duas raízes dentro de si. A primeira, que era o plano de Deus, seria o de viver para sempre à imagem e semelhança de Deus, como um ser espiritual, gozando de todos os benefícios de ter sido criado em dimensão espiritual; e a segunda, a de seguir os impulsos do pó da terra que estava em seu corpo físico e seguir as paixões da carne e do reino animal. Ele deixou a imagem e semelhança de Deus, para viver à semelhança do mundo terrestre, animal, maligno e natureza pecaminosa. Adequou-se à natureza e adoração da criatura, e propiciou a quebra de comunhão e adoração ao Criador, a partir daí, de si emanava do homem apenas o humano e terreno.

Ele desceu da dimensão espiritual para a esfera física. Sua cosmovisão teria sido bem diferente, pois iria enxergar, reinar e dominar “de cima”, no reino do espírito como um ser espiritual. A morte propagou-se a partir dos descendentes de Adão e Eva, e todos passaram a ver o mundo no parâmetro, na cosmovisão terrena, do reino animal, do reino da terra, do “reino debaixo”. O relacionamento do homem com Deus passou a espelhar-se numa religião morta, nas letras da lei e da Velha Aliança.

Assim é o “reino debaixo”, regido por uma visão e cultura do mundo, da terra, governado pelo esquema da carne e do mundo. É o comportamento engendrado pelo que a Bíblia chama de natureza e semente do primeiro Adão, a semente de Caím, o filho da escrava, filhos da lei, que refletem tão somente a natureza da carne, do mundo e da morte. O “reino debaixo” são os de mente terrena, conformados com as dimensões da terra e do mundo. A besta de Ap.13:11, é a manifestação daquilo que sobe da terra, daquilo que brota do homem. A natureza da besta é o espírito do mundo, o espírito do anti-cristo, é a natureza maligna do homem que se opõe ao reino de Cristo, ao Reino de Deus, que é o “reino de cima”. A Bíblia por sua vez traça um retrato dos homens dominados pela cultura do mundo.

Jesus Cristo é a semente de Deus, prometida em Gênesis 3:15. Jesus Cristo é o pão de Deus que desceu dos céus. “Ele é o pão vivo que desceu dos céus” (Jo 6:50-51). Ele veio de cima. Este também, tinha duas naturezas dentro de si: Ele é o Deus que se fez carne (Jo 1:14), mas era também homem. Este por sua vez, que é a árvore da Vida, rejeitou os caminhos do primeiro Adão e decidiu resgatar no homem a imagem e semelhança de Deus. Escolheu a Vida. Desceu à morte e ao inferno, para retomar a escolha que homem fizera morte, “e tomou as chaves da morte e do inferno” (Apoc.1:18).
Por isso quem come deste pão e bebe desta água (que são VIDA), desfaz em sua vida o pacto e escolha do primeiro Adão pela morte, e retoma a sua posição de vida, pois tem a oportunidade de comer da Arvore da Vida (Jesus) e não da árvore da morte – a do conhecimento do bem e do mal. Trata-se de uma livre escolha pela Vida. Ao aceitar o sacrifício de Cristo, que morreu e provou a morte em seu lugar, você retorna ao jardim do Éden – recusa a comer da árvore cujo fruto é a morte e come da árvore da vida, que é Jesus, a vida eterna em Deus.

Ao comer da árvore da Vida, o homem nasce de novo pelo Espírito, se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus (Jo 3:3), Jesus é a porta de entrada para o Reino de Deus (Jo 10:10). O novo nascimento, é semeado pelo Espírito e gera Jesus Cristo, formando uma nova vida, produzindo vida eterna.

A Árvore da Vida produz frutos de Deus, Jesus é a Vida, é a árvore da Vida. A nova vida em Cristo traz frutos de cima, dos céus, do Reino de Deus. “Certamente é chegado a vós o reino de Deus” (Mt 12:28), o Reino de Deus chegou na pessoa de seu Rei, o Rei Jesus. A Bíblia apresenta também este comportamento na semente de Abel, filho da livre, o filho da promessa, a raiz de Davi, o espírito de Davi, e refletem a natureza do reino do Espírito. É a manifestação do reino de Deus, do pão de Deus que desceu dos céus.

O Reino de Deus desce dos céus através de Jesus Cristo e é gerado pelo Espírito. O fruto do Espírito, a semente de Cristo gerada e ramificada em nós é uma cultura e cosmovisão diferente. É uma nova ótica para ver o mundo, é a cosmovisão da Vida Plena e Eterna, e os valores deste Reino são absolutamente inversos e opostos ao reino deste mundo.

“Graça e verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo 1:17). O reino de Deus, através de Jesus Cristo, é o reino da graça, do Espírito, da vida, onde o Espírito guiará a toda a verdade, que é Jesus (Ef.4:21). É a retomada do reino, da dimensão espiritual. Adão optou pelo mundo físico e humano, mas Jesus trouxe o reino do Espírito. Em Cristo retornamos ao Éden, e apossamos do reino espiritual e passamos a caminhar com Deus em espírito, como havia de ser desde o início. A letra mata, mas o Espírito vivifica (2 Co 3:6). Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente (1 Co 2:14). Para Deus não há passado, presente, futuro, o aceitar a Cristo é retornar ao Éden, à posição da escolha pela árvore da vida, e desfrutar dos benefícios de um ser criado à imagem e semelhança de Deus.

Ao nascer de novo, ocorre um processo de re-direcionamento em nossa vida, pois estávamos acostumados com um comportamento já de tantos anos existência própria, e de atuação milenares neste mundo terrestre. Uma luta interna é travada entre os frutos da carne e o fruto do espírito, as obras da lei e a graça, a religião e a revelação de Cristo, as obras das trevas e a luz, o espírito de Caím e o espírito de Abel, o espírito de Saul e o espírito de Davi. É um processo de re-orientação de vida, para matar o comportamento do primeiro Adão, do mundo que entrou em nós, as obras da carne, da lei e das trevas, os extintos de Caím e de Saul. É hora da separação entre o que é Jesus e o que é Adão em sua vida, entre o que é do reino das trevas e do reino da luz.

É um processo de desintoxicação, para expelir toda cultura, comportamento e obras do mundo. Gálatas 5:16-25 define claramente os frutos da carne e o fruto do Espírito, o viver e andar em Espírito e o satisfazer os desejos da carne. “Mas digo: Andai no Espírito e não cumprireis os desejos da carne. Porque a carne anseia o que é contra o espírito, e o espírito contra a carne, e se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis. Se sois, porém, guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei. As obras da carne são manifestadas, as quais são: Prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, ciúmes, ira, facções, dissensões, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como antes já preveni, que os que praticam tais coisas não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: Amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Não há lei contra estas coisas. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e desejos. Se vivemos pelo espírito, andemos da mesma forma pelo Espírito”.

2. O Fator Supra cultural

Na teologia Bíblica e Antropologia da Religião deparamos com fenômenos supra culturais, que são fenômenos da crença e do comportamento culturais que tem sua origem fora da cultura humana. A religião encontra-se neste âmbito supra cultural, onde o reino de Deus se sobrepõe à cultura dos homens. Este fenômeno supra cultural ocorre quando o emissor seja de fora da cultura receptora e fora de qualquer cultura em particular. Ao transmitir a mensagem e teologia bíblica contextualizada é preciso estabelecer uma perfeita distinção entre o que é supra cultural e o cultural, quais são os padrões bíblicos que são supra culturais, estando portanto, acima de qualquer comportamento cultural.

Na comunicaçãotranscultural do evangelho é preciso entender as diferentes culturas, e um estudo etnográfico, ou seja, estudo comparativo de diferentes culturas irá visualizar a realidade e singularidade de cada cultura.

A Enculturação ocorrem no local onde as pessoas nascem, são formadas e crescem dentro de uma cultura. É o processo de formação dos hábitos, valores e comportamentos que são transmitidos desde o nascimento de uma pessoa; ela é inserida neste esquema cultural. Primeiro, o transmissor da mensagem precisa entender bem a sua própria cultura, suas crenças, comportamento e distinguir se determinada crença e comportamento é um valor absoluto supra cultural, ou simplesmente é uma expressão cultural. Depois, é preciso entender muito bem a cultura receptora. O amplo conhecimento da cultura receptora é importantíssimo para a contextualização da mensagem. O pregador do evangelho irá deparar com assuntos polêmicos tais como: poligamia, culto aos ancestrais, sincretismo, formas de culto, etc. Ao transmitir a mensagem do evangelho é preciso deter-se tão somente aos valores absolutos supra culturais, expressos na teologia bíblica, esquecendo-se daquilo que são específicos da cultura própria do comunicador da mensagem.

O processo de aculturação ocorre no momento em que entramos numa outra cultura, para estudá-la, aprendê-la e conviver com os demais. Aculturação é pois o processo de adaptação a uma nova cultura, que deverá ser aprendida e assimilada.

Na contextualização da mensagem é preciso distinguir os elementos supra cultural-divinos na Revelação Bíblica e os elementos cultural-humanos na Revelação da Bíblia. Para que esta contextualização concorra, necessário é fazer uma interpretação bíblica (hermenêutica) para que a Bíblia possa ser comunicada de forma contextualizada e relevantetransculturalmente. Em seu livro “A comunicaçãotranscultural do evangelho” David J. Hesselgrave mostra O Modelo Tri cultural de Comunicação Missionária de Eugene Nida, com a seguinte argumentação: “A mensagem missionária é a mensagem da Bíblia. Foi entregue por Deus por meio dos apóstolos e profetas, nas línguas e nos contextos culturais da Bíblia. Para efeito de simplificação, podemos dizer que a “cultura da Bíblia” (triangular em nosso modelo) abrange todos os contextos culturais em que a mensagem da Bíblia foi originariamente entregue ... Os emissores das mensagens eram identificados com as culturas a que denominei “cultura da Bíblia”. Eles codificavam as mensagens de modo que fosse compreensível naquelas culturas aos receptores membros dessas culturas”.

3. A chegada do Reino de Deus.

O Evangelho da Graça traz o antídoto contra os frutos da morte, contra a cultura, valores e comportamentos deste mundo.
“Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração. E toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mt 22:37-40). Amar ao Senhor de todo o coração, exclui qualquer possibilidade de idolatria e adultério espiritual. E amar ao próximo, com um coração comprometido com Deus e cheio de Seu amor, anularia qualquer intenção de pecar contra o próximo, seja o matar, ferir, caluniar, invejar, adulterar, roubar, etc. O AMOR é o selo da aliança com Deus. “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13:34-35).

A Nova Aliança, é o amor e graça de Deus sendo derramado em nossos corações, nos habilitando a viver e andar no reino do Espírito, no Reino de Deus, pelo Amor; habilitando-nos a viver a natureza de Deus. “Porque o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Rm 5:5). “No qual (em Jesus) temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência” (Ef 1:7-8).

O Reino de Deus é a esfera onde a vontade de Deus é feita absoluta e livremente. “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 5:10) Assim como a vontade de Deus é feita no céu, que seja feita aqui na terra também.

“Porque teu é o reino, e o poder, e a glória” (Mt 5:13) o Reino é a esfera de autoridade, no Reino de Deus está a manifestação de Sua autoridade, vontade e glória.

“É chegado o reino de Deus” (Mt 12:28) – o Reino de Deus chegou na pessoa de seu Rei: o Senhor Jesus!

“O reino de Deus está entre vós” (Lc 17:21) – O Senhor Jesus é a expressão e manifestação do Reino de Deus. Trata-se da vinda e presença do Rei.

O Reino deve ser propagado e estabelecido pela Igreja porque Cristo é a cabeça da Igreja, e a Igreja é o corpo de Cristo. O Corpo é submisso à cabeça. A Igreja deve ser a esfera do reino de Deus, o lugar onde Deus exerce Sua vontade, autoridade e manifesta Sua glória. A Igreja foi estabelecida por Cristo, como autoridade para abrir o reino do céu para as pessoas. A Igreja tem as chaves do Reino. “O que ligardes na terra ter-se ligado nos céus” (MT 18:18). A Igreja é a autoridade representativa de Deus na terra. Na Bíblia encontramos as Leis do Reino, pois todo reino precisa de padrões e leis para dirigir e coordenar seus súditos. O primeiro princípio é o de autoridade e submissão.

4. O retrato do Reino de Deus na Bíblia Sagrada.

Os filhos do reino são uma boa semente (Mt 13:38). O reino de Deus está dentro de vós (Lc.17:21). O reino de Deus não é deste mundo (Jo 18:36). O reino de Deus exige compreensão e prática de vida (Mt 13:19). O reino de Deus exige compromisso total (Lc 9:62). Carne e sangue não podem herdar o reino de Deus (1Co 15:50). Porque o reino de Deus consiste não em palavras, mas em poder (1 Co 4:20). O reino de Deus não é comida, nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo (Rm 14:17). Nenhum que prostitui, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus (Ef 5:5). Não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, ciúmes, ira, facções, dissensões, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas.

Sugerimos que você acompanhe a seqüência e estudo destas palavras apresentadas na Bíblia através de uma Concordância ou Chave Bíblica. Estas são palavras que se encaixam no comportamento do Reino de Deus. Palavras estas que refletem o bem, o que é bom. Abençoar, abnegar, abrigar, abundância, ações de graça, acolher, aconselhar, acreditar, adorar, afeição, agradável, agradecido, ajudador, alegria, amável, amar, amigo, amparar, animar, bom aroma, arrepender-se, atento, autoridade, auxiliador, bem, bem-aventurado, bem-estar, benção, bendito, bendizer, benevolência, benigno, bom, bonança, bondade, capaz, bom caráter, céu, compaixão, companheiro, compassivo, competente, compreensivo, comunhão, confiança, confortar, conhecimento, consagração, consolar, constante, contribuir, contrito, conversão, cooperação, corajoso, crer, cuidadoso, dar, decoroso, descanso, dignidade, diligência, disciplina, disposição, edificar, encorajar, ensinar, esperança, esperar, espiritual, estável, excelente, boa fama, favor, fé, feliz, felicidade, fidelidade, fiel, firme, generosidade, gozo, graça, hospitalidade, honesto, humildade, irrepreensível, íntegro, júbilo, justiça, justo, leal, legitimidade, liberalidade, liberdade, longanimidade, longevidade, louvor, mansidão, misericórdia, obediência, oferta, orar, ouvir, paciência, pacificador, paz, perdão, perfeição, perseverar, persistência, piedade, primícias, prosperidade, provação, pureza, ouro, quebrantado, querido, redimir, regozijar, resgatar, restabelecer, restauração, restituir, retribuir o bem, riso, sabedoria, sábio, sacrifício, salmodiar, salvar, santidade, santificação, saúde, segurança, sinceridade, sincero, simpatia, simples, submissão, sujeitar, suportar, sustentar, temor de Deus, trabalhador, tranqüilidade, transformação, triunfar, vencedor, verdade, vida, zelo, zeloso.

“Finalmente irmãos, tudo que é verdade, tudo o que é de respeito, tudo o que é certo, tudo o que tem pureza, tudo o que é amável, tudo que é de boa fama, se há alguma virtude e algum louvor, nisto pensai” (Fip.4:8). Medite sobre: A nova vida - 1João 3:9-19.; A verdadeira vida - Tg 3:15-16, 1Tm 6:6-12.; O amor - 1Co 13:4-7; O perdão - Mt 6:14-15.; A Humildade - Filp 2:5-9; A habilidade de sofrermos injustiça pessoal sem revalidação, retaliação, ou ressentimento, amargura, retrucar e reivindicar.

5. O caráter do filho de Deus – o cidadão do Reino.

John Stott chama a mensagem do Sermão do Monte como a Contracultura Cristã. “O sermão do monte é o esboço mais completo, em todo o Novo Testamento, da contracultura cristã. Eis aí um sistema de valores cristãos, um padrão ético, uma devoção religiosa, uma atitude para com o dinheiro, uma ambição, um estilo de vida e uma teia de relacionamentos: tudo completamente diferente do mundo que não é cristão. E esta contracultura cristã é a vida do reino de Deus, uma vida humana realmente plena, mas vivida sob o governo divino” (STOTT, 1982).

O caráter do cristão, do discípulo de Cristo é espelhado no Sermão do Monte, nas bem-aventuranças, em Mateus 5 e 6:
v.3 Os humildes de espírito possuem o reino de Deus;
v.4 Os que choram serão consolados;
v.5 Os mansos herdarão a terra ;
v.6 Os que têm fome e sede de justiça serão saciados;
v.7 Os misericordiosos alcançarão misericórdia;
v.8 Os puros de coração verão a Deus;
v.9 Bem-aventurados os pacificadores;
v.10 Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça;
v.11 Bem-aventurado os que sofrem perseguições;
v.13 O cristão é sal terra;
v.14 O cristão é luz do mundo; (vs.14 a 16).
v.21 Jesus reforça os mandamentos, a justiça do cristão (vs 17 a 20);
v.22 Jesus ensina o relacionamento com o próximo;
v.23 Jesus ensina sobre o perdão e reconciliação ( vs. 24 a 26).
v.27 Jesus chama à pureza moral (vs 28 a 32);
v.33 Jesus chama à honrar a palavra dada (vs 33 a 37);
v.38 Jesus ensina sobre a segunda milha, o abrir mão dos direitos (vs.39-48);
6:1 A justiça e a recompensa (vs 2-4);
v.5 Jesus ensina a orar (vs 6-15);
v.16 O jejum (vs.17-18);
v.19 A verdadeira riqueza (vs.20-21);
v.22 Coisas muito importantes (vs23-34).

Vale lembrar pois, que a mensagem do Sermão do Monte não são inatingíveis, não são valores utópicos, mas sim relevantes e aplicáveis á vida moderna. Este sermão apresenta um conjunto de valores, padrões éticos, atitudes, comportamentos, estilo de vida e relacionamentos, como uma contra-cultura cristã que é a realidade de vida do reino de Deus, onde o governo de Deus é soberano e absoluto.

6. Discussão e Conclusão.

A idéia de uma cultura própria para o reino de Deus foram apresentados por Jesus Cristo, como um novo e vivo caminho, mostrando aos novos discípulos seus comportamento como o Povo da Nova Aliança. Jesus abre o seu discurso no livro de São Mateus apresentando um código de ética e valores diferentes do curso do mundo. Os quatro evangelhos expressam esta singularidade de comportamento, renúncia e estilo de vida.

A cultura do reino de Deus é a cultura própria daqueles que reconhecem a autoridade e governo de Deus em suas vidas. A esfera do Reino de Deus abre-nos diretrizes claras, apresentando-nos a contracultura cristã como sendo aquela que se opõe ao caminho normal deste mundo.

Concluímos pois que a cultura do Reino é o “alto caminho”, o caminho excelente ora aberto por Jesus Cristo para que nele andemos. Este é o Reino de Cima, Reino com padrões e valores vindos do majestoso trono de Deus. A Nova Aliança é o amor e graça de Deus sendo derramado em nossos corações, habilitando-nos a viver a natureza de Deus, manifestando assim comportamentos próprios dos filhos de Deus. O Reino de Deus é a esfera onde a autoridade, vontade e glória de Deus fluem livremente e assumem ampla e total dimensão, até que os reinos e culturas deste mundo se tornem de fato o reino de Seu Cristo.

A teologia Bíblica da Nova Aliança não consiste apenas em estatutos em orientações que guiem o povo, nem em códigos de leis para o bem estar social. Aqui, Jesus resumiu os dez mandamentos em dois: “amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e o teu próximo como a ti mesmo”, onde o amor é tudo, é a razão em obedecer a Deus e seus mandamentos. A Nova Aliança é uma dimensão de qualidade de vida espiritual. São os caminhos do amor e as dimensões do Espírito, são leis de espírito e Vida. A Nova Aliança resgata o de mais verdadeiro, holístico e a imagem de Deus no homem. É o resgate do reino de cima – do reino de Deus no interior do homem. O reino de Deus desce do céu através de Jesus Cristo, e é implantado pelo Espírito Santo no homem interior. A cultura do reino de Deus é a cultura moldada pelo Espírito.

A teologia bíblica do Antigo Testamento apresenta o mapa teológico e cultural do povo de Deus, apontando os padrões teológicos universais imutáveis e que devem ser mantidos em todas as culturas e gerações. A Bíblia apresenta os mandamentos concernentes ao relacionamento com Deus e com os homens, e Deus gasta tempo ensinando os homens como viver em sociedade. Eles se dividem em princípios de adoração e relacionamento com Deus, as leis do trabalho e descanso, vida em família, vida social, princípios morais e relacionamento com o próximo, e isto se chama sociologia da cultura. Deus estabeleceu uma sociologia cultural perfeita para o homem nela viver. Contudo na cultura da modernidade vemos a sociedade corrompida pela violência, crime, ódio, corrupção, corrosão da família e dos valores morais, corrosão da ética e caráter, corrida desenfreada pelo trabalho e capitalismo, urbanização desmedida e problemas sociais oriundos da não observância do padrão sócio-cultural e bíblico por Deus estabelecidos. Este mapa cultural no Velho Testamento é um roteiro supra cultural chamando o povo à obediência, garantindo-lhes que a observância dos mesmos é visando o bem estar do homem em sociedade, consigo mesmo e com seu criador.

O homem situa-se na luta de duas culturas interiores: a cultura do mundo e a cultura do reino de Deus. A Cultura do Reino são os padrões e valores próprios para aqueles que nasceram de novo no Reino de Deus. O novo nascimento gera no homem um novo comportamento e atitudes pertinentes à um filho de Deus. A cultura do Reino é uma contra-cultura cristã que se opõe ao costume habitual do mundo em que vivemos. O evangelho de Cristo nos molda a um comportamento à imagem e semelhança de Deus.

O cristão, discípulo de Cristo, precisa então travar um encontro consigo mesmo, tomando um papel para fazer uma lista realística de atitudes que são coerentes a cultura do reino de Deus e as que são do mundo. Todo ser humano já tem a noção de certo e errado, cabendo-lhe tão somente ser sincero consigo mesmo e avaliar sob qual cultura está vivendo. Por exemplo, o ato mentir, enrolar e enganar outra pessoa, infligir as leis, roubar, caluniar, falar asperamente, preguiça, deslealdade, impureza moral, sexo descontrolado, relações sexuais ilícitas, a prática sob qualquer forma de violência, o mau uso do dinheiro, a idolatria, o endividamento, a cobiça, a inveja, a ambição desmedida, ganância, a loucura do trabalho, os vícios, desonra aos pais, desrespeito à autoridades, brigas, contendas, litígios, manipulação, a não presença na família e no lar, corrupção, suborno, sonegação fiscal, negligência, e muitas outras práticas não são cabíveis ao reino de Deus e não são próprias para os filhos do Reino. Se formos honestos, saberemos medir muito bem as coisas que não são corretas, mas já nos acostumamos a conviver com elas e elas passaram a ser normais.

É necessário abrir os olhos e ver que muitos são os comportamentos e práticas em nossa cultura, que para os tais poderíamos ouvir o conselho bíblico: “Não é próprio dos reis, ó Lemuel” (Pv.31:4), ou seja, não são compatíveis com a cultura do reino de Deus. A cultura do Reino é um caminho mais excelente, rico em valores e qualidade de vida, sendo portanto a senda do cristão, do verdadeiro discípulo de Cristo.

Sobre a Autora:
MariaLeonardo, PhD.
Doutorado em Teologia (Etnoteologia e Antropologia Cultural).
Doutorado em Antropologia da Religião.
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Última atualização em Qua, 08 de Abril de 2009 01:59

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